SUPERSTIÇÕES E SÍMBOLOS: O SIGNIFICADO DOS CHIFRES – PARTE 1

SUPERSTIÇÕES E SÍMBOLOS: O SIGNIFICADO DOS CHIFRES

Somos desde a infância submetido pelas pessoas a um batalhão de crenças que criam raízes profundas na nossa vida “forever”.

Somos embalados pela cantiga do Boi da Cara Preta, na alfabetização conhecemos o Saci Pererê, a Mula sem cabeça e se tivermos um pouco de sorte, frequentaremos o Ensino Médio sem medo de encontrar a Mulher de Branco no Banheiro.

Se sobrar algum resquício de sobriedade, crenças no Diabo, no Inferno, no pecado, no Karma (a moda ocidental) no Dia do Juízo Final se encarregarão de nos conduzir a fronteira final do medo.

Às vezes, o medo perde pontos para a criatividade e surgem personagens como o Brasinha, série de desenhos animados foi ao ar nos anos 60 e depois novamente nos anos 70, mas as supostas ligações satânicas do personagem, imediatamente o tiraram do ar.

Mas, o talento sempre vence e num lance de genialidade pode associar a “realidade ao ocultismo ” e desse “flerte” surge o galante “Hellboy” inserido na aura dos mistérios e mitos que rondam nossa realidade, (ver interessante discussão em:

(http://tudosobremagiaeocultismo.blogspot.com.br/2011/09/o-que-tem-de-ocultista-o-filme-hellboy.html)

E restam ainda a Nova Ordem Mundial, mas vamos reconhecer o produto nacional e lembrar que “as famosas panelinhas do nosso serviço podem ministrar cursos de excelência na área de tripudiar o outro. Aliás, hábito que atravessou séculos e permanece novinho na nossa vidinha cotidiana.

Não estou criticando instituições religiosas, filosóficas, não estou trabalhando em favor de partidos políticos ou arrebanhado almas puras para o MAL, só lembrando que “Ignorância traz o caos, não conhecimento.” – Filme: Lucy

Os séculos passam, mudamos o calendário, mas continuamos dividindo o mundo no povo do bem e o povo do mal, heróis e vilões, feitiçaria e magia, difícil é enxergar somente o simbolismo, sem conotação de conspirações contra pessoas boas e puras (nós?????) eleitas para salvar a humanidade corrompida pelo mal externo.

Para contextualizar nossa fantasia com a realidade, “O Instituto One Poll, entrevistou 2.000 adultos. Foram feitas perguntas sobre suas crenças de maneira geral. O resultado surpreendeu a muitos.

55% dizem que é possível ter fé no sobrenatural, e isso não inclui o Deus cristão;

33% considera-se supersticioso, evitando fazer ou dizer coisas que possam trazer “má sorte”, embora não saibam dizer por que;

29% acreditam que podem ver o futuro de alguma forma,

23% afirma ser capaz de usar a força da mente;

10% defende que os serem humanos têm poderes sobrenaturais.”

(https://noticias.gospelprime.com.br/pesquisa-sobrenatural-fe-deus/)

Contrastando com o mundo tecnológico e o avanço da nanotecnologia muitos acreditam que:

– Cruzar na rua com um gato preto dá azar;

– Quebrar um espelho provoca sete anos de azar na vida de quem quebrou;

– Passar por debaixo de uma escada dá azar;

– Deixar um sapato ou chinelo de cabeça para baixo pode provocar a morte da mãe; o mesmo acontece se você escrever na areia.

– Abrir guarda-chuva dentro de casa pode atrair morte; o mesmo acontece se um passarinho entrar na sua casa

– Tomar café no sol, bem como pisar no chão gelado depois do banho pode entortar a boca o mesmo acontece se você passar roupa e tomar água gelada

– Bater três vezes numa madeira pode evitar eventos ruins.

E o CAMPEÃO O SAL: Entornar sal parece ser um sinal de muito azar. Algumas pessoas dizem que o sal entornado desperta os demônios – o antídoto é atirar uma pitada sobre o ombro esquerdo (em baixo) para banir os espíritos maus, que, segundo as crenças, tendem a juntar-se ali.”

Já dizia Eintein……

E poderíamos completar esse pensamento com: “É preciso entrega, desprendimento e humildade de saber que nada sabemos, pois o que sabemos é tão pouco diante da infinita verdade. Se o conhecimento é infinito, não podemos nós, como células ativas, estagná-lo, por conta da nossa ignorância, não temos este direito. Dedicar-se com o mesmo empenho, amor, devoção e continuar levando a todos aqueles que acreditam e aos que não acreditam, na luz, na força, no poder que imana do passado e das forças da natureza. Beto Koch -(Nov/2005).”

Se as superstições já apavoram de nosso dia-a-dia, imagine impregnamos nossa imaginação com alguns símbolos sombrios (????), que sequer ousamos falar ou pensar e que aterrorizam e tiram nossa noite de sono.

Respeitando as crenças de cada um, vamos analisar com o intuito de esclarecer, diziam nossos avós “ […..] não é tão feio quanto se pinta.”

 

OS CHIFRES

Diferença entre Cornos e Chifres:

“Essas estruturas são visíveis e presentes nos mamíferos com casco. São coletivamente chamados de apêndices cranianos. Acredita-se que possuam a função de defesa, reconhecimento social, apresentação sexual e disputa entre os machos por fêmeas e território.

No geral, tanto os chifres como os cornos são derivados do osso frontal do crânio, mas apenas os chifres costumam ser ramificados. Os cornos são recobertos por queratina e os chifres por uma camada de pele altamente vascularizada, denominada veludo […] (http://brasilescola.uol.com.br/biologia/cornos-chifres.htm)

Você sabe a diferença entre chifre e corno?

“Os chifres são estruturas ósseas. Eles estão presentes na família dos cervídeos, que são conhecidos por cervos e veados. Quem apresenta chifres são os machos. Os chifres dos cervídeos são formados por uma base óssea, também chamada de pedúnculo. Eles crescem de acordo com a maturidade do animal. Quando o jovem atinge a maturidade sexual, ou seja, quando já pode acasalar, seus chifres estão grandes e vistosos […] é que na época do acasalamento os machos travam lutas, usando seus chifres, para disputar as fêmeas [….] Quanto mais fortes e vistosos são os chifres, mais o macho se torna interessante […] A rena é a única espécie de cervídeo em que a fêmea também apresenta chifres, encarregadas de proteger os filhotes do bando.

Já os cornos também podem até apresentar uma base óssea, que sustenta sua estrutura, mas eles têm origem no tecido dérmico, o tecido que forma a pele. E são feitos de queratina […] Os cornos ocorrem nos animais do grupo dos bovídeos […]

Alguns deles são ocos por dentro, como é o caso dos cornos da cabra. Uns são totalmente formados por tecido dérmico, como no caso do rinoceronte. E outros, ainda, possuem na base uma formação óssea – esse é o caso do boi […] Resumindo, então…

Chifre tem origem no tecido ósseo e ocorre nos veados e cervos, família dos cervídeos. Corno tem origem no tecido dérmico e é formado por queratina; ocorre nos bois, cabras, búfalos, família dos bovídeos.

(http://clickeaprenda.uol.com.br/portal/mostrarConteudo.php?idPagina=8469)

No texto, vamos utilizar a palavra “chifres”, mas lembrando que no caso do bode seriam cornos, mas no caso da traição o termo está corretíssimo é corno mesmo.

 

SIMBOLISMO DOS CHIFRES

Na nossa sociedade os chifres possuem uma conotação pejorativa, representando o demônio, vítimas da infidelidade, etc, ou seja, a sua simples presença representa a alusão ao “MAL”

Na Antiguidade (LURKER, 2006, p. 51), os povos consideravam o chifre, enquanto arma de ataque e defesa, como símbolo de força física e poder supra-humano. No Egito antigo, os chifres, em ligação com a coroa, serviam muitos deuses como adorno da cabeça e eram considerados pelo povo simples como súmula do terror que cerca o sobrenatural […..]. Na arte da mesopotâmia antiga, as divindades são ornadas com a coroa de chifres, como que símbolo de seu poder supra terreno. Na época do helenismo, governantes faziam cunhar sua imagem com testa coroada de chifres em moedas […]

Os animais portadores de chifres em larga escala são considerados como símbolos de fertilidade. Assim, também o chifre é sinal de abundância (cornucópia), da hospitalidade, da generosidade, da paz e da esperança; em representações das partes do mundo é símbolo da Europa e da África. Segundo o Dicionário dos Símbolos: imagens e sinais da arte cristã (HEINZ-MOHR, 1994, p. 96), também é atributo do profeta Jonas e da Sibila délfica.

(http://apologeticacatolicablog.blogspot.com.br/2011/12/os-chifres-de-moises.html)

ISÍS

E embora possa parecer inconcebível o CHIFRE APARECE NA SAGRADA ESCRITURA : “O chifre é antigo símbolo da excelência, da elevação e do poder. Assim, a Bíblia fala do “chifre da salvação”. (1Sm 2,1; Sl 18,3; 148,14; Lc 1,69; Ap 5,6: o cordeiro com sete chifres) e conhece a unção régia com óleo do chifre. Por isso, na Bíblia, o chifre é sinal de poder e força. O Senhor faz para o seu povo chifres de ferro e cascos de bronze, para que ele esmague numerosos povos e consagre a Yahweh os seus despojos (Mq 4,13). Aos piedosos Deus ergue o chifre (Sl 92,11), expressão eloqüente para dizer a graça de Deus. Quem teme a Deus e anda de acordo com seus mandamentos, a “sua força se exalta em glória” (Sl 112,9).

Enquanto o Senhor ergue o chifre do seu povo (Sl 148, 14), abater-se-á o chifre de Moab (Jr 48, 25), ou seja, o seu poder será desbaratado. “Ele corta o chifre dos ímpios, mas o chifre do justo será erguido” (Sl 75,11). O próprio Senhor é designado, no cântico de ação de graças depois de batalha com êxito, como chifre de salvação (Sl 18,3). Como sinal especial de poder divino de bênçãos eram considerados os chifres de metal dos quatro cantos do altar dos perfumes da Tenda da Reunião (Ex 27,2; 30,2) […] ver a discussão completa em: Apologética Católica: Os “chifres” de Moisés.

(http://apologeticacatolicablog.blogspot.com.br/2011/12/os-chifres-de-moises.html

QUANDO SURGIU A REPRESENTAÇÃO DO MAL OSTENTANDO CHIFRES

Tudo começa com o bode. Sim o bode.

Dentro do contexto simbólico na Europa antiga, o bode era o animal que representava a virilidade, o poder de procriação, a libido, a força vital. Esse animal era um dos preferidos dos deuses Pan e Dionísio. De Pan principalmente. E é aí que a transformação começa a ocorrer.

Pan é um deus da mitologia que conhecemos muito bem. Ele tem chifres e pernas de bode, vive nas florestas e atrás das ninfas. Podendo ser chamado também de Fauno. A figura deste deus foi muito relevante para que se configurasse a atual imagem do […]

O bode que a princípio tinha simbolismo não-pejorativo tem a sua significação mudada pelo cristianismo medieval. Isso provindo da cultura religiosa judaica relativa ao RITO DE EXPIAÇÃO:

“O sumo sacerdote receberá da comunidade dos filhos de Israel dois bodes destinados ao sacrifício pelo pecado… Lançará a sorte sobre os dois bodes, atribuindo uma sorte a Iahweh e outra a Azazel. Aarão oferecerá o bode sobre o qual caiu a sorte para Iahweh e fará com ele um sacrifício pelo pecado. Quanto ao bode sobre o qual caiu a sorte para Azazel, será colocado vivo diante de Iahweh para fazer com ele o rito de expiação, a fim de ser enviado a Azazel, no deserto (…) Aarão porá ambas as mãos sobre a cabeça do bode e confessará sobre ele todas as faltas dos filhos de Israel, todas as suas transgressões e todos os seus pecados. E depois de tê-los assim posto sobre a cabeça do bode, irá enviá-lo ao deserto, conduzido por um homem preparado para isso, e o bode levará sobre si todas as faltas deles para uma região desolada”. (Lv. 16: 5-8 e 10:21s).

Esse era o tal do bode expiatório. Depois disso, se jogava o animal no deserto para que ficasse a própria sorte […]

Logo associou-se o bode ao pecado, e o seu mal cheiro teve uma associação com o mal.”

(https://retalhosdeexistencia.wordpress.com/2011/05/23/de-anjo-a-demonio-a-construcao-historica-da-imagem-do-diabo/)

Assim, para os cristãos, os chifres representam o Demônio, o cordeiro ou cabrito, que era sacrificado em redenção do pecado, citada acima.

Mas os chifres sempre foram sinais de algo Divino. Na Babilônia, o grau de importância dos deuses era identificado pelo número de chifres atribuídos a eles.

Moisés fora representado plasticamente com chifres na testa, bem como o próprio Alexandre, o Grande, encomendara uma pintura do seu retrato, mostrando-se com chifres de carneiro na testa.

A imagem do Diabo mais reconhecível surgiu na Baixa Idade Média, durante a pandemia de peste bubônica que assolou a Europa e dizimou entre 25 e 75 milhões de pessoas.  Como sempre visualizamos vantagens mesmos nos momentos de maior horror, assim a Igreja aproveitou a ocasião para exortar nos fiéis sobreviventes os horrores do Inferno decorrentes da volúpia e dos pecados.

Para ressaltar o poder da crença, em Avinhão, na França, Guy de Chauliac, o mais famoso cirurgião dessa época, médico do Papa Clemente VI, sobreviveu à peste e deixou o seguinte relato:

“A grande mortandade teve início em Avinhão em janeiro de 1348 […] Era tão contagiosa que se propagava rapidamente de uma pessoa a outra; o pai não ia ver seu filho nem o filho a seu pai; a caridade desaparecera por completo”. E continua: Não se sabia qual a causa desta grande mortandade. Em alguns lugares pensava-se que os judeus haviam envenenado o mundo e por isso os mataram.”

Mas o mundo evoluiu mesmo contra nossa vontade a ciência avançou explicando as doenças, os antibióticos revolucionaram os tratamentos médicos, as condições de saneamento melhoraram, as pessoas tiveram acesso à educação e mesmo os desastres naturais podem ser explicados e em alguns casos até previstos, a figura do Diabo ficou ameaçada.

De alguma maneira o culto ao medo teria de ser mantido, a estratégia foi associação ao sobrenatural, serviram perfeitamente ao propósito o Ocultismo, o Movimento Nova Era, as Associações Secretas, os Illuminati, etc, mantidos pela exacerbação de religiosos fanáticos, que querem salvar nossa Alma do controle do Mal.  Onde fica a liberdade de escolha?

A nova versão de caça a bruxa está formatada via Internet. Nesse quadro a mídia teve seu papel fomentando o consumo desenfreado, afinal a ganância, inveja, obsessão pelo visual, sempre são atribuído a influência do MAL???.

Veja discussão detalhada desse histórico em:

http://www.apocalipsenews.com/religiao/como-o-diabo-ficou-vermelho-e-ganhou-chifres/)

 

 

 

 

 

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